A História e as edições da Almeida Corrigida Fiel (1994-2011).

A versão Almeida Corrida fiel (ACF), também conhecida como Almeida Revisada Fiel (ARF),biblia-sagrada-almeida-corrigida-fiel-acf-4786-mlb4933928907_082013-o publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana, é uma das versões mais apreciadas na língua portuguesa e, juntamente com a Almeida Revista e Corrigida (ARC), publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), é uma das versão mais vendidas no Brasil, dominando cerca de 60% de vendas do mercado editorial de Bíblias no Brasil.

As marcas distintivas da Almeida fiel são a procura por se manter fiel à tradição textual da Bíblia original de João ferreira de Almeida, publicada em Amsterdã e baseada no Textus Receptus de Theodore Beza,e o método de tradução empregado por Almeida e todos os tradutores da Reforma: O método de equivalência formal, que procura reproduzir a estrutura estilística e fraseologias dos originais hebraico, aramaico e grego. Assim como a tradução original de Almeida, a Almeida Fiel possui uma interessante história, sendo que alguns pontos dela serão vistos a seguir.

O prelúdio – a Bíblia Revista e Reformada:

A história da Almeida Fiel começa em Londres no século XIX, quando a recém-fundada Trinitarian Bible Society, localizada em Londres, decidiu publicar uma nova versão da Bíblia em português, sendo que esta seria a primeira publicação da Bíblia em língua estrangeira feita por esta sociedade. O trabalho foi conduzido pelo Reverendo John Bois, do Trinity College, e que resultou na versão Almeida Revista e Reformada. Essa versão procurou atualizar a tipografia, atualização do vocabulário e fazer certas revisões no texto de Almeida. Enquanto isso, outras sociedades Bíblicas e editoras continuaram a publicar sua versão particular de Almeida. Por fim, foi produzida em Portugal a  versão de Almeida conhecida como Revista e Corrigida, que se baseava nas verões anteriores de Almeida (Incluindo a Reformada). Essa versão, baseada totalmente no Textus Receptus, se tornou a versão padrão em língua portuguesa no século XIX e início do XX, fazendo com que a Trinitarian Bible Society não visse mais necessidade de publicação da versão Revista e Reformada. Porém tal cenário logo mudaria no decorrer do século XX.

O Período intermediário: ARC SBB/IBB.

Com a publicação do Texto grego dos eruditos Westcott e Hort em 1881, texto esse que diferia do Textus Receptus em vários  lugares, começou-se a ter uma desconfiança com  a essencialidade das traduções clássicas, como a King James (inglês), a Reina-Valera (espanhol) e obviamente, a Almeida(português). As duas soluções propostas pelas sociedade bíblicas então foram publicar novas traduções da Bíblia, baseadas no Texto crítico de Westcott e Hort se seus sucessores, ou então revisar e atualizar as versões antigas para se ajustarem a este novo tipo de texto grego (haja vista que novas versões tendiam a ser rejeitadas pela igreja, que preferiam a  versões tradicionais). Com isso, a versão Corrigida de Almeida foi progressivamente adotando algumas variantes do Texto Crítico em pequenos lugares. Com o passar do tempo o número de variantes foi chegando a cerca de 2% da Corrigida até a versão de corrigida de 1995.

Das versões da Almeida Corrigida se destacam as publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) e pela Impressa Bíblica Brasileira (IBB). A SBB publicou  Ambas as versões possuem  quase as mesmas leituras variantes, com exceção de alguns lugares onde a Corrigida da IBB permaneceu com a leitura original em algumas passagens e manteve o vocabulário arcaico da ARC de 1969.  A ACF reteve um pouco da linguagem da Corrigida-IBB, como se pode notar em algumas passagens como Tiago 3.13:

“Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria” (ARC 1995).

“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria” (RC IBB)

“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre  pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria” (ACF).

Algumas passagens da Corrigida da IBB permaneceram nas versões de 1994,1995 e 2007, sendo substituídas na revisão de 2011. Basicamente, essas três versões são quase idênticas entre si, apresentando apenas algumas leves variações

Almeida Fiel: 1994-2011.

A partir do momento que a Sociedade Bíblica Trinitariana se estabeleceu com uma sede no Brasil, procurou-se trabalhar em uma versão que fosse fiel ao trabalho original de Almeida, no caso, a versão deveria respeitar os textos originais utilizados por Almeida: O Texto Massorético de Jakob Ben Chayim e o Textus Receptus, em especial a edição de Theodore Beza. A primeira edição de 1994 manteve ainda algumas variantes que não foram utilizadas por Almeida, assim como a revisão publicada em 1995. A atualização de 2007 procurou resolver esta questão, restaurando todas as leitura variantes da edição original de 1681(Se isso foi totalmente positivo é algo a se tratado no próximo artigo). A revisão de 2001 procurou melhorar a tradução de algumas passagens.

Conclusão:

A Almeida corrigida Fiel merece ser reconhecida como uma legítima (e por padrão, a melhor) representante da tradução original de Almeida. Ainda que algumas passagens acabem por perder certa estilização poética nas versões mais arcaicas como a ARC e a IBB e não serem uma tradução sem erros ou equívocos (algo que só existe idealmente), é um a tradução que honra o trabalho pioneiro de Almeida, e cria, inclusive, um duplo sentido proposital em sua slogan: é uma tradução fiel não somente ao trabalho de J. F. de Almeida, mas também aos próprios originais do Antigo e Novo Testamento, representado nas edições de Ben Chayim e do Textus Receptus.

Soli Deo Gloria

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