Textus Receptus: Estabelecendo definições e particularidades

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Textus Receptus: Edição de Scrivener (Trinitarian Bible Sociey).
Quando se lida com manuscritologia bíblica do Novo Testamento, os ânimos ficam acirrados dos dois lados do debate, os que defendem o Texto crítico e os que defendem o texto bizantino, em especial, os que defendem o Textus Receptus como texto autorizado dos manuscritos bizantinos e as traduções baseadas no Textus Receptus (TR). No Brasil, muitos dos que defendem o TR fazem-se utilizando o combustível de sites batistas fundamentalistas, que a despeito de sua contribuição em muitos aspectos, acaba por obscurecer algumas questões acerca do Texto Recebido e dando combustível argumentativo aos que defendem o Texto Crítico.
É necessário que se tenha uma bordagem bíblica, sensata, protestante e coerente com a fé cristã ortodoxa e confessional ao analisar o TR. Eis alguns princípios importantes para o crente defensor do Texto Tradicional:
Primeiramente é importante que se tenha como certo o axioma que Deus é fiel e preservar plenamente sua Palavra Escrita. A Bíblia não foi perdida e depois encontrada novamente, mas sempre esteve à disposição da igreja (ainda que esta possa ter lhe desprezado em alguns momentos). Dito isto, é importante que se tenha ciência e se saiba fazer a distinção entre  Texto Preservado e as Edições do Texto Preservado. O texto original foi preservado na imensa massa de manuscritos chamados de “bizantinos”, ainda que sejam oriundos das mais variadas regiões do oriente. Esses manuscritos, compilados, compilados e comparados debaixo da “lógica da fé”, foram reproduzidos em um texto impresso bem perto da época da Reforma, e rendendo várias edições com o passar do tempo, todas essencialmente concordantes entre si, que posteriormente foi chamado de “Textus Receptus”.
Não se deve ver o Textus Receptus como uma única edição, mas um grupo de textos que concordam substancialmente entre si
Ainda que o texto original tenha sido preservado, não significa que ele esteja representado com precisão absoluta em toda a edição impressa. Caso houvesse concordância plena, não seria mais unicamente a providência de Deus agindo, mas um verdadeiro milagre equivalente à inspiração dos originais. Por isso, há algumas pequeníssimas variantes entre as edições do Texto Recebido, porém na maioria dos são diferenças de acentuações, grafia ou palavras invertidas (que não alteram o sentido ou a tradução do texto, pois no grego não importam a ordem das palavras, mas as conjugações delas. Há entretanto, pequeníssimas variantes, mas que são ínfimas se comparadas às edições do Texto Crítico. Essas variantes se dão por haver uma leve divergência nos manuscritos bizantinos, e às vezes  uma edição do TR segue uma variante e outra edição segue outra variante.  Por exemplo, em  João 1.28, a edição de Stephanus se lê “Betânia” e a de Beza se lê “Bethabara”. Aqui os manuscritos estão divididos. Um estudo minucioso indica “Bethabara” como a leitura correta, mas é algo que ainda está sendo estudado.  Há pequenas variantes (realmente importantes) nas edições, mas elas são mínimas e não afetam, o sentido e nem enfraquecem a doutrina (como acabam  fazendo os textos críticos, que não passam de uma reconstrução artificial).
Não se deve ver o Textus Receptus como uma única edição, mas um grupo de textos que concordam substancialmente entre si (cerca de 98,5%), formando um  texto que reflete os originais (sendo, portanto, uma edição legítima das cópias fiéis, as apógrafas). Estas edições contêm pequenas variantes entre si, que devem ser estudadas no temor do Senhor e, a meu ver, deveriam ser anexadas a notas de rodapé das edições do TR publicadas atualmente. Um detalhe importante é que essas variantes, pela providência de Deus, estão circunscritas às edições do TR antigas e devem ser avaliadas de maneira bíblica e temente à Deus.
Aos defensores do texto tradicional, é importante manter a confiança que o TR é um texto bastante confiável, legítimo representante do Texto Original e que você pode ler sem medo. Todavia, é importante defendê-lo de maneira sábia, definindo-o dentro do bom-senso santificado e de uma boa teologia protestante-reformada. Procure estudar em oração uma leitura variante que o irmão possa encontrar e não fique receoso. Pois como disse acertadamente Edward F. Hills (cujo livro eu recomendo de todo o coração ao irmão) Temos toda a certeza que precisamos. Uma certeza máxima!
Soli Deo Gloria
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